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Volkswagen considera produzir veículos militares na Europa

Carro SUV off-road verde militar da Volkswagen modelo VW Defense exposto em ambiente interno moderno.

A crise que atinge a indústria automóvel europeia está a empurrar a Volkswagen para uma hipótese pouco comum: entrar na produção de veículos militares. Seria uma mudança de rumo relevante numa Europa que acelera o seu rearmamento.

No fim de fevereiro, a Volkswagen chamou a atenção ao marcar presença na Enforce Tac, uma das principais feiras europeias dedicadas à segurança e ao armamento. O evento reuniu mais de 1.400 expositores e 26.000 visitantes profissionais em Nuremberga.

Reestruturação da Volkswagen e o futuro da fábrica de Osnabrück

O contexto ajuda a explicar o movimento. A Volkswagen está no meio de uma reestruturação profunda e prepara um plano para reduzir custos em 20% até 2028. Entre as medidas, está prevista a eliminação de 35.000 postos de trabalho na Alemanha até ao fim da década.

A unidade de Osnabrück, que emprega 2.300 pessoas, está particularmente sob pressão: a produção do T-Roc Cabriolet, o seu último modelo, será encerrada em 2027. Depois disso, o local procura um novo caminho, especialmente após o fracasso das negociações com a Rheinmetall, gigante alemã do setor de armamento, no fim de 2024.

Por que a defesa se tornou uma alternativa para a Volkswagen

Neste cenário, a defesa surge como uma opção plausível de reconversão. O ambiente geopolítico na Ucrânia e no Médio Oriente tem alimentado uma nova corrida ao armamento, com cada vez mais países a ampliarem investimentos.

A Alemanha é um dos exemplos mais claros: o chanceler Friedrich Merz anunciou a aplicação de centenas de milhares de milhões de euros no setor. Para a Volkswagen, o momento parece alinhar-se de forma particularmente oportuna.

Volkswagen e veículos militares: dois protótipos e muita cautela

Em Nuremberga, a Volkswagen apresentou dois protótipos de veículos militares, relançados de forma discreta com o nome D.E.S. Defence. O primeiro, MV.1, deriva da pick-up Amarok; o segundo, MV.2, parte do furgão Crafter.

Ambos foram adaptados especificamente para uso militar, a ponto de pouco lembrarem as versões civis. Um detalhe chama atenção: não há qualquer logótipo visível da Volkswagen, um sinal forte.

Apesar disso, a marca evita compromissos públicos. “Apresentámos conceitos para explorar oportunidades de mercado”, disse um porta-voz, citado pela agência de notícias Reuters. Por agora, ao que tudo indica, não há previsão de oficialização.

Não é um caso isolado na indústria automóvel

A Volkswagen não é a única a analisar esse tipo de movimento. Em setembro passado, a Renault afirmou estar a estudar uma parceria com o Ministério das Forças Armadas francês para produzir drones militares. A Porsche e a fornecedora Schaeffler também já demonstraram ambições semelhantes.

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