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A guerra da autonomia nos automóveis elétricos: BMW e Groupe Renault apontam 400, 500 e 600 km

Carro elétrico azul estacionado em ambiente moderno com estações de recarga ao fundo.

A “guerra da autonomia” nos carros elétricos segue a… todo vapor. Recentemente, noticiamos que o norte-americano Lucid Air é, neste momento, o automóvel elétrico com maior alcance, com 837 km certificados pela EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA), superando o rival Tesla Model S em quase 200 km.

O Mercedes-Benz EQS é anunciado com autonomia máxima de até 770 km, mas a marca alemã não pretende parar por aí e está desenvolvendo um protótipo elétrico capaz de ultrapassar os 1000 km de autonomia real.

E também temos visto, nos planos de várias marcas e grupos automotivos, o anúncio de autonomias entre 600 km e 800 km para seus futuros modelos elétricos.

Não é só nos segmentos mais altos que essa “guerra da autonomia” acontece. Nos segmentos mais acessíveis e populares, também temos acompanhado o aumento das autonomias anunciadas, um argumento crucial que pode determinar, ou não, o sucesso de um modelo.

E é fácil entender o motivo.

Além de a infraestrutura de recarga ainda ser insuficiente, os tempos de carregamento continuam longos, mesmo com os avanços registrados nos últimos anos nessas áreas. Não surpreende, portanto, que a autonomia de um elétrico seja tão valorizada e que a chamada “ansiedade de autonomia” ainda seja tão comum.

O problema continua sendo a forma de alcançar essa autonomia maior, cuja solução mais óbvia é, naturalmente, instalar uma bateria maior - e, consequentemente, mais cara.

Se, nos modelos citados acima, o custo extra de uma bateria maior - todos eles com pelo menos 100 kWh - não representa um obstáculo tão grave por conta do posicionamento desses veículos, nos segmentos inferiores o custo de uma bateria maior para obter mais autonomia ainda é um desafio difícil de contornar sem comprometer um preço competitivo.

Cabe às marcas encontrar, assim, um ponto de equilíbrio entre tamanho da bateria (para alcançar a autonomia), preço e as expectativas (e receios) do cliente.

Como isso se traduz em quilômetros?

Surge então a pergunta: de quantos quilômetros de autonomia realmente precisamos em carros elétricos para ter “tranquilidade”? Ainda não há respostas definitivas, mas algumas marcas já trabalham com certos números em mente.

A BMW, por exemplo, começou dizendo, por meio do líder de desenvolvimento do BMW i4, David Ferrufino, em declarações à australiana Which Car, que esse valor depende do segmento em que o veículo está inserido: “Por exemplo, não pensamos que uma autonomia de 600 km seja adequada para um BMW i3 como carro urbano, mas, quando falamos do BMW iX ou i4, 600 km é uma solução que agrada aos clientes.”

Apesar de o BMW Group já ter declarado que não deixará de buscar formas de ampliar a autonomia de seus carros elétricos a bateria, os 600 km parecem ser um número capaz de aliviar qualquer ansiedade.

No Groupe Renault, durante a conferência eWays (sobre os planos de eletrificação do grupo francês), no último dia 30 de junho, a resposta foi na mesma linha da BMW. Philippe Brunet, diretor dos grupos de powertrains a combustão e elétricos do Groupe Renault, afirmou que esse valor dependerá, essencialmente, do segmento do veículo.

Modelos como o Zoe ou o futuro 5 elétrico, pertencentes ao segmento B, têm em 400 km um valor considerado suficiente segundo as pesquisas internas do grupo, não sendo necessário mais do que baterias entre 40 kWh e 50 kWh de capacidade para atingir esse objetivo.

Mas, subindo um segmento, o dos pequenos familiares, onde se encaixa o novo Mégane E-Tech Electric, 500 km de autonomia é o número apontado para que o cliente se sinta “seguro”, exigindo baterias entre 60 kWh e 80 kWh.

O que parece certo, inclusive pelos sinais dados por vários atores da indústria, é que os 700, 800 ou até os desejados 1000 km de autonomia não parecem ser realmente necessários para acabar com a “ansiedade de autonomia”, até porque, mesmo nos automóveis com motor a combustão, são distâncias que poucos modelos conseguem atingir.

Mas, ao contrário dos elétricos, o reabastecimento de veículos com motor a combustão continua sendo muito mais rápido, retirando a ansiedade de autonomia da equação. E se o mesmo acontecesse com os elétricos?

Em vez de autonomias maiores, recargas mais rápidas

Philippe Brunet, da Renault, levantou essa possibilidade e afirmou que caberá ao consumidor decidir o que será mais importante: a autonomia absoluta do veículo ou a velocidade de carregamento.

Ou seja, no futuro, pode acontecer de abrirmos mão de baterias grandes e autonomias extensas (mais peso e custo), em troca de acesso a recargas muito mais rápidas.

Para que esse cenário possa se tornar realidade, Brunet diz que será necessária uma expansão substancial dos carregadores rápidos (corrente contínua) e o desenvolvimento de baterias adaptadas para suportar esse tipo de carregamento com frequência, sem provocar degradação precoce.

O ganho de tempo no carregamento, favorecido pelo uso de baterias de menor capacidade, poderia tornar o uso de um elétrico tão conveniente quanto o de um carro equipado com motor a combustão. Essa solução, no entanto, também traz custos adicionais ao veículo, como concluiu Brunet, mas será que poderia compensar em relação a uma bateria de grande porte?

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