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Geely negocia a compra do “Body 3” da fábrica da Ford em Valência para driblar tarifas da UE

Dois homens apertando as mãos em uma fábrica de automóveis com braços robóticos no fundo.

Os fabricantes chineses vêm buscando, a qualquer custo, caminhos para contornar as tarifas de importação de carros elétricos definidas pela União Europeia em 2024. Enquanto algumas marcas passaram a apostar na produção de híbridos plug-in, outras preferem se estabelecer diretamente na Europa. Nesse contexto, a Geely Auto encontrou na fábrica da Ford em Valência, na Espanha, uma porta de entrada.

Negociações na fábrica de Valência (Almussafes)

Segundo veículos da imprensa espanhola, a Ford estaria em tratativas avançadas para vender à Geely o pavilhão “Body 3” do complexo de Almussafes. Trata-se da área de montagem mais recente da planta, onde antes saíam de linha os modelos Mondeo, Galaxy e S-Max - todos já descontinuados.

Hoje, de acordo com o La Tribuna de Automoción, a produção ativa em Valência se resume ao Ford Kuga. O modelo utiliza principalmente os pavilhões “Body 2” e “Body 1”, o que deixa o “Body 3” praticamente parado.

Fugir às tarifas

Para o grupo chinês, as vantagens do acordo são diretas. De um lado, a operação permitiria escapar das tarifas de importação de 18,8% (além dos 10% já existentes) que a UE passou a aplicar aos seus elétricos. De outro, a Geely ganharia acesso imediato à infraestrutura já instalada e a uma força de trabalho especializada, em uma região com tradição de longa data no setor automotivo.

Plataforma GEA e o modelo interno 135

Ainda conforme as fontes, a Geely poderia produzir em Valência um novo carro apoiado na sua plataforma GEA (Global Intelligent Electric Architecture). Essa arquitetura multienergia é compatível com veículos de diferentes tamanhos. O automóvel, conhecido internamente como 135, poderia receber conjuntos elétricos, híbridos plug-in e híbridos.

Também existe a possibilidade, segundo pessoas próximas das negociações, de a Geely fabricar um modelo da Ford utilizando a mesma plataforma. A empresa chinesa já estaria entrando em contato com fornecedores da região para discutir os planos de produção.

Uma fábrica que pode voltar a crescer

Para a Ford, a negociação seria uma maneira de tornar rentável uma capacidade industrial que, caso contrário, seguiria subutilizada. Em 2019, Valência fabricava mais de 300 mil veículos por ano, um patamar distante do ritmo atual das operações da montadora norte-americana. Uma parceria com a Geely poderia recolocar a planta mais perto desse nível de atividade.

Colaborações além da produção

A aproximação, porém, não deve ficar restrita à linha de montagem. As duas empresas estariam avaliando cooperação em software, eletrônica e sistemas avançados de assistência à condução - áreas em que o próprio diretor-executivo da Ford, Jim Farley, já reconheceu publicamente que os fabricantes chineses têm vantagem.

Nem a Ford nem a Geely confirmaram os detalhes das conversas. Ambas se limitaram a retomar declarações anteriores, nas quais afirmam estar “continuamente em discussão com vários parceiros, sem nada concluído”.

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