Toyota reforça a aposta no hidrogênio
A aposta da Toyota no hidrogênio segue firme - e voltou a ser reafirmada neste ano. Para a marca japonesa, o hidrogênio não deve ser descartado, seja como combustível alternativo, seja como base de geração de energia para veículos elétricos com célula a combustível (pilhas de combustível). Na visão da Toyota, essa tecnologia pode, no futuro, ocupar o espaço que hoje ainda pertence ao Diesel.
Essa direção ficou clara novamente nas declarações de Sean Hanley, vice-presidente de vendas da Toyota Austrália, em entrevista ao Car Expert Austrália. “O Diesel não vai desaparecer na próxima década, mas mais tarde acredito que o hidrogénio vai tomar o seu lugar. No longo prazo não consigo imaginar o Diesel como combustível do futuro.”
Embora Hanley admita que ainda “há quem julgue o hidrogénio uma anedota”, ele sustenta a convicção de que a solução tem potencial para, um dia, substituir os motores a Diesel. Com os investimentos adequados, ele acredita que a infraestrutura pode ganhar escala e ajudar a acelerar a descarbonização do transporte.
A fala não causa espanto quando vem de uma fabricante que já soma 30 anos buscando alternativas para mover automóveis. Um marco dessa trajetória ocorreu em 1997, com o Toyota Prius, o primeiro carro eletrificado produzido em massa.
Com a tecnologia híbrida consolidada como um dos pilares de vendas da Toyota, o foco de investimento também se volta para o hidrogênio. E, no próximo ano, chega a terceira geração do sistema de célula a combustível, com ganhos de eficiência de 20 % e custos de produção 50 % mais baixos.
Hidrogênio: uma ideia antiga com problemas antigos
O hidrogênio está longe de ser novidade. Em 1807, o motor De Rivaz já operava com uma mistura de hidrogênio e oxigênio. Mais tarde, em 1966, a General Motors apresentou o Electrovan, considerado o primeiro veículo com célula de combustível - em um período que coincidiu com o uso dessa tecnologia pela NASA no programa Apollo.
Ainda assim, foram necessários mais de cem anos de idas e vindas até a tecnologia chegar às ruas em volume minimamente perceptível. O Honda FCX Clarity, em 2008, e o Toyota Mirai, em 2014, deram início à fase comercial, sempre travada por custos altos e por uma rede de abastecimento praticamente inexistente.
Mesmo com as limitações, a Toyota não é a única na corrida. A BMW mostrou neste ano sua nova geração de células de combustível, com produção programada para 2028, e a Hyundai deve colocar em breve no mercado a segunda geração do Nexo, um SUV com tecnologia de célula a combustível. Já a Stellantis classificou o hidrogênio como um “segmento de nicho” e recuou na aposta.
Um problema chamado infraestrutura
Hoje, na Europa, já há centenas de Toyota Mirai rodando, em cidades como Berlim e Paris. Ainda assim, esses casos são exceção - não regra. O obstáculo principal continua sendo o mesmo: a escassez de postos de abastecimento.
Portugal: preço do Mirai e a escassez de postos
Em Portugal, por exemplo, o Toyota Mirai já aparece à venda por 74 mil euros - quem tiver curiosidade pode verificar no configurador da marca. Porém, existe apenas um posto de abastecimento em todo o território nacional. Ele fica em Cascais e é do município.
Europa: plano AFIR e o “corredor de hidrogênio”
O Plano Nacional para o Hidrogênio prevê a construção de “entre 50 a 100 postos de hidrogénio” até 2030, enquanto, no contexto europeu, o projeto AFIR (Plano para Rede de Abastecimento de Combustíveis Alternativos) avança de forma gradual. A meta é estabelecer um «corredor de hidrogénio» com postos de abastecimento a cada 200 km nas principais rotas.
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