Atuar no mercado automotivo chinês - o maior do planeta - ficou mais difícil do que nunca para as marcas estrangeiras, em meio a uma virada de cenário cada vez mais comandada pelos fabricantes locais.
A disputa esquentou especialmente entre os carros elétricos. A Tesla é um bom exemplo disso. Mesmo sem a divulgação dos números absolutos finais, as vendas da marca também recuaram na China em 4,9% em relação a 2024, com novas ameaças.
Esse contexto ajuda a entender por que o Tesla Model 3 perdeu a liderança no seu segmento. Pela primeira vez desde a estreia na China, em 2019, o Model 3 foi superado em volume de emplacamentos - e justamente por um novato: o Xiaomi SU7.
O sedã elétrico chinês virou um caso de sucesso e já recebeu o rótulo de primeiro “Tesla killer” (matador de Tesla), ao conseguir o que outros concorrentes não conseguiram. Em 2025, foram 258 164 unidades vendidas, contra 200 361 do modelo norte-americano - uma diferença de cerca de 30% (fonte: China Passenger Car Association).
O que está em causa?
Apresentado em março de 2024, o SU7 marcou a estreia da Xiaomi no setor automotivo - até então, a empresa era mais reconhecida pelos celulares. Em menos de dois anos, o modelo se tornou o sedã elétrico mais vendido do seu segmento.
Xiaomi SU7: preço, desempenho e autonomia
Parte desse desempenho se explica pelo preço. O Xiaomi SU7 2026 vai ficar mais caro, mas, ainda assim, os 229 900 renminbi (aproximadamente 27 577 euros pela taxa de câmbio atual) seguem um pouco abaixo do Tesla Model 3, que parte de 235 500 renminbi (cerca de 28 249 euros). Antes, o SU7 começava em 215 900 renminbi (aprox. 25 898 euros).
Só que os pontos fortes do SU7 não se limitam ao valor. Na versão de entrada, ele entrega números superiores em desempenho (0-100 km em 5,3s vs 6,1s) e também em autonomia (720 km vs 634 km no ciclo CLTC) quando comparado ao modelo norte-americano.
Expansão da Xiaomi para fora da China
Resta saber se o desempenho do SU7 pode se repetir em outros mercados. Por enquanto, a Xiaomi atua somente na China, mas a expansão já está no radar - com a Europa incluída nos planos a partir de 2027.
Tesla responde com promoções
Do lado da Tesla, a reação - tanto à Xiaomi quanto à queda geral nas vendas - tem sido baseada em ações promocionais e campanhas. Um exemplo é o abatimento de oito mil renminbi (960 euros) no seguro para quem comprar o Model 3 até 28 de fevereiro, além de um plano de financiamento de sete anos com juros baixos, divulgado no começo do mês.
Concorrentes chineses como Xiaomi, Li Auto e XPENG responderam rapidamente, equiparando a oferta, em uma corrida por incentivos que virou uma disputa agressiva - ou, como definiu Stella Li, vice-presidente executiva da BYD, um “banho de sangue”.
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