Chegou a ter cara de A7, mas a Audi acabou abandonando o plano. Chame do que quiser: o DNA desta perua não deixa dúvida - o A6 Avant está melhor do que nunca.
Para entender o novo Audi A6 Avant, é preciso começar pelo batismo. A marca alemã chegou a decidir que esta geração passaria a se chamar A7. A ideia ficou pelo caminho e, sem grandes surpresas, a nova perua A6 Avant continua sendo… A6 Avant.
Por causa dessa escolha, a linha da Audi passou a ter duas “A6” perua: esta, com motores a combustão; e a e-tron, 100% elétrica. O nome é o mesmo, mas praticamente todo o resto muda.
Da base dedicada (PPC, ou Premium Platform Combustion) ao Diesel com “ajuda” elétrica, sem esquecer a nova linguagem visual, sobram argumentos para sustentar a evolução do novo Audi A6 Avant.
Fomos conferir tudo de perto no norte de Portugal, entre Amarante e Celorico de Basto. Assista ao vídeo:
Com coeficiente aerodinâmico (Cx) de apenas 0,25 - o melhor valor de sempre em uma perua Audi a combustão - o A6 Avant chama atenção pelas linhas mais limpas e pela postura agressiva, principalmente na dianteira. Ali, o destaque é a nova grade singleframe, agora mais larga e posicionada mais baixa.
Depois, assim como já acontece no novo A5, tanto o conjunto principal dos faróis quanto as lanternas traseiras podem vir com tecnologia OLED. Isso permite exibir diferentes assinaturas de iluminação, alternadas pelo display central do carro.
Ambiente familiar
Por dentro, as semelhanças com o A5 Avant são muitas, embora a sensação de montagem e os materiais utilizados estejam um degrau acima - exatamente como se espera de um modelo deste segmento e desta faixa de preço.
Depois de anos em que os interiores da Audi pareciam ter parado no tempo, fica a impressão de que a marca dos quatro anéis finalmente retomou o rumo, encontrando um equilíbrio mais convincente entre tecnologia, luxo e facilidade de uso.
Ainda assim, para mim, a terceira tela à frente do passageiro dianteiro quebra um pouco a harmonia do conjunto. O painel é dominado por um módulo curvo que reúne duas telas: uma de 11,9” para o quadro de instrumentos e outra de 14,5” para o sistema de infoentretenimento.
E o espaço?
No quesito espaço, há pouco do que reclamar. Os quase cinco metros de comprimento (mais 6 cm do que antes) ajudam a garantir muito espaço no banco traseiro - algo essencial em um carro com vocação estradeira como este.
Mesmo assim, vale encarar este modelo como um “4+1”. O túnel de transmissão é volumoso e prejudica bastante o lugar central atrás, que funciona melhor como alternativa apenas em emergências.
Quanto ao porta-malas, o A6 Avant fica um pouco atrás do que oferecem seus dois rivais mais diretos: BMW Série 5 Touring e Mercedes-Benz Classe E Station.
Dependendo do motor escolhido, o compartimento de carga do A6 Avant pode chegar a 503 litros ou 1534 litros com os bancos traseiros rebatidos - infelizmente, não dá para fazer isso de forma elétrica -, o que representa menos 67 litros do que o modelo da BMW e menos 112 litros do que o da Mercedes-Benz. Ainda assim, espaço é algo que não vai faltar nesta perua.
Diesel está vivo e de boa saúde
Bastam poucos quilômetros ao volante para perceber que a essência do modelo foi mantida. Sempre enxerguei o A6 Avant como uma proposta versátil: excelente para devorar quilômetros em rodovia e, ao mesmo tempo, muito competente quando a estrada certa de serra aparece.
Sem surpresa, isso continua verdadeiro - talvez mais do que nunca - nesta nova geração, que ficou mais refinada sem abrir mão da boa dinâmica. Especialmente quando equipada com dois opcionais que, para mim, mudam o carro: suspensão pneumática adaptativa e sistema de direção nas quatro rodas.
Eles não são baratos, como as marcas alemãs premium nos acostumaram, mas elevam bastante os atributos dinâmicos desta perua.
Neste primeiro momento, o A6 Avant chega com três motores: dois a gasolina (um quatro cilindros com 204 cv e um V6 com 367 cv) e um Diesel (quatro cilindros com 204 cv). Mais adiante, entram as versões híbridas plug-in.
Tanto o V6 a gasolina quanto o Diesel 2,0 litros vêm combinados ao novo sistema mild-hybrid da Audi, que adiciona ao motor a combustão um motor elétrico de 24 cv, arquitetura elétrica de 48 V e uma bateria com 1,7 kWh de capacidade.
Nós já testamos esse conjunto no Audi A5 Avant e, na ocasião, saímos convencidos. Confesso que, no A6, por ser maior e mais pesado, eu tinha receio de que os 204 cv e 400 Nm ficassem no limite - mas em nenhum momento senti falta de mais potência.
Diferentemente de outros sistemas do tipo, aqui o motor elétrico do mild-hybrid realmente consegue empurrar o carro, ainda que em situações bem específicas: saídas em baixa velocidade, manobras de estacionamento ou no anda-e-para do trânsito.
Mesmo assim, como dá para ver (ou ouvir) no vídeo, eu esperava consumos mais baixos do que os que consegui, principalmente em rodovia.
Em linha com os rivais
Já em fase de encomendas no mercado português, o novo Audi A6 Avant parte de 67 955 euros na versão Diesel com tração dianteira. Já o Diesel com tração integral - quattro - que testamos neste vídeo começa em 73 475 euros. As duas opções a gasolina ainda não têm preços definidos para Portugal.
No fim das contas, são valores alinhados ao que Mercedes-Benz e BMW pedem por Classe E Station e Série 5 Touring, respectivamente, e colocam o A6 Avant a cerca de 8300 euros do Audi A5 Avant equivalente.
Neste momento, a aposta deve ficar quase toda concentrada no Diesel, que segue com bastante protagonismo no mercado nacional.
Ainda assim, será interessante ver com que preço chegam as duas versões híbridas plug-in que o A6 Avant vai receber dentro de alguns meses, porque essas, sim, podem “piscar o olho” para as empresas.
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