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BYD destrona a Tesla e lidera o mercado de carros elétricos

Carros modernos elétricos branco, cinza e vermelho em showroom com cidade ao fundo ao entardecer.

Pela primeira vez desde que o carro elétrico se popularizou, a Tesla deixou de ser a líder incontestável do setor. A chinesa BYD tomou a dianteira sobre a empresa de Elon Musk, num marco que reposiciona a disputa pela supremacia global da mobilidade elétrica.

BYD supera a Tesla no mercado de carros elétricos

O impacto foi imediato na indústria automotiva: pela primeira vez, a Tesla não ocupa mais o topo entre os veículos 100% elétricos. A BYD ultrapassou a gigante americana, coroando uma escalada considerada impressionante.

No fim de novembro de 2025, a BYD somava 2 066 002 veículos 100% elétricos vendidos, tornando-se a primeira montadora a romper a marca simbólica de dois milhões de unidades em um ano. Do outro lado, a Tesla contabilizava “apenas” 1 217 902 entregas até o fim de setembro.

Os analistas convergem num ponto: a distância aberta pela BYD não deve ser revertida. Pelo consenso da FactSet, a Tesla deve registrar 449 000 entregas no quarto trimestre, queda de 9,48% na comparação anual. A Deutsche Bank é ainda mais conservadora, projetando 405 000 unidades, enquanto o UBS aponta para 415 000 veículos. Estimativas ajustadas recentemente para baixo que reforçam o desenho do ano.

“As entregas da Tesla vão mostrar sinais de fraqueza no quarto trimestre”, confirmou Dan Ives, diretor na Wedbush Securities, à AFP. E os números de desempenho regional da Tesla ajudam a explicar o tom: -33% na América do Norte, -34% na Europa e até -10% na China, seu segundo mercado histórico.

Efeito Musk?

O que está por trás de uma queda desse tamanho? Há mais de um elemento por trás de um ano fraco para a Tesla. Para começar, o encerramento do crédito tributário nos Estados Unidos inflou artificialmente os resultados do terceiro trimestre: muitos consumidores anteciparam a compra para aproveitar os incentivos antes do fim do programa. Depois, a correção veio com força.

Para a empresa sediada em Austin, há um fator ainda mais sensível: a imagem de Elon Musk passou a pesar contra a marca. A aproximação com Donald Trump, durante a campanha e depois da posse em janeiro de 2025, gerou desgaste significativo. Protestos em frente a concessionárias, vandalismo em carros e apelos ao boicote: a Tesla tem arcado com custos altos pela exposição política do seu CEO. O impacto tende a ser ainda mais forte na Europa, onde a compra de veículos elétricos historicamente se conecta a valores progressistas. Com isso, as vendas seguem em queda.

BYD acelera a expansão internacional e a logística

Enquanto isso, a BYD pisa no acelerador na sua ofensiva global. Diante da desaceleração do mercado doméstico chinês - onde a disputa com Nio, Li Auto e Xpeng fica mais dura -, a empresa de Shenzhen vem apostando pesado na internacionalização. “A BYD é uma das pioneiras na instalação, no exterior, de capacidade de produção e de fornecimento para veículos elétricos”, destaca Jing Yang, diretora para Ásia-Pacífico da Fitch Ratings. “Essa diversificação geográfica provavelmente vai ajudá-la a atravessar um ambiente cada vez mais complicado em termos de tarifas.”

A execução dessa estratégia é detalhada. O grupo já opera oito navios do tipo ro-ro, com capacidade de levar até um milhão de veículos por ano para a Europa, a América do Sul e a Ásia. Uma fábrica na Hungria está prestes a iniciar a produção, e outra unidade está planejada para a Turquia em 2026. Além disso, a BYD trabalha com um portfólio amplo e preços agressivos, com valores a partir de 10 000 euros para o compacto urbano Seagull.

As apostas da Tesla para retomar o ritmo

Mesmo assim, a Tesla ainda mantém algumas cartas importantes. A companhia direciona as expectativas para 2026, com a promessa de um avanço em larga escala do seu sistema de condução autônoma FSD. “Se eles conseguirem, isso vai impulsionar a demanda pelos veículos”, avalia Itay Michaeli, analista da TD Cowen.

O lançamento do Cybercab em Austin já em abril, o início da produção do caminhão Semi e versões mais acessíveis do Model 3 e do Model Y também aparecem como possíveis catalisadores para recuperar tração. Por ora, porém, é a China que ocupa a posição de destaque na indústria automotiva global.

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