Os planos pareciam definidos: o sucessor do Alfa Romeo Stelvio seria apresentado no fim deste ano e, cerca de um ano depois, chegaria a vez de revelar o substituto do Giulia. Agora, esse cronograma deixou de valer.
Como que confirmando rumores que já vinham ganhando força, Santo Ficili, diretor-executivo da Alfa Romeo, disse à revista italiana Al Volante que o desenvolvimento dos sucessores do Stelvio e do Giulia ainda não foi concluído. O motivo está ligado à mudança de rumo da marca em relação aos modelos 100% elétricos.
“Como sabem, tínhamos seguido a direção de ter apenas carros elétricos, mas agora temos também de desenvolver alguns motores térmicos, pelo que estamos a redefinir o calendário”.
Santo Ficili, CEO da Alfa Romeo
Estratégia multienergia da Alfa Romeo muda o plano
A estratégia original era diferente: a partir de 2025, todos os novos modelos da Alfa Romeo seriam exclusivamente elétricos, e os carros com motor a combustão sairiam de “cena” já em 2027. Só que o plano foi revisto.
No começo do ano, Chris Fuell, CEO da Alfa Romeo na América do Norte, também confirmou a alteração de direção. De acordo com ele, o futuro da marca será multienergias.
Para muitos alfisti, a notícia pode ter sido positiva. Ainda assim, essa virada acabou bagunçando o desenvolvimento do Giulia e do Stelvio, já que não estava previsto que eles recebessem motorizações a combustão.
Plataforma STLA Large da Stellantis no Stelvio e Giulia
Apesar disso, já se sabe que os dois modelos vão usar a plataforma STLA Large, da Stellantis. Essa base permite acomodar motorizações a combustão, híbridas e 100% elétricas - o que, na prática, abre espaço para a mudança de planos, mas também complica o cronograma.
Mirko Marsella, líder de um dos sindicatos, reforçou que há atraso e descreveu o cenário em Cassino: “Está tudo pronto na linha de produção (em Cassino), mas o carro não está pronto. Os novos alfas foram planeados apenas como elétricos, mas agora percebe-se que apenas o híbrido poderá vender (bem) e por isso começaram os trabalhos para fazer um Stelvio com um motor de combustão”.
Híbrido plug-in é o maior problema
Até o momento, nenhuma opção de motor a combustão foi confirmada. Ainda assim, segundo a Al Volante, o principal desafio agora é a variante híbrida plug-in. O problema é que, por enquanto, não existem híbridos plug-in associados à STLA Large, o que exige um desenvolvimento do zero - e isso tende a empurrar o lançamento ainda mais para a frente.
Além do atraso, surge outra dúvida: qual motor a combustão usar nessa configuração. Hoje, o único conjunto já associado à plataforma é o “Hurricane”, um seis cilindros em linha com potência de até 550 cv.
Ele pode fazer sentido em uma versão de alta performance, mas, para quem busca um carro para o uso diário, talvez seja demais. A Alfa Romeo quer um híbrido plug-in com quatro cilindros, justamente onde está a maior oportunidade do mercado. Só que essa alternativa ainda não existe.
Afinal, quando chegam os novos Alfa Romeo?
A necessidade de criar uma nova motorização híbrida plug-in - além de outras que ainda não foram confirmadas - não é o único fator por trás do atraso desses Alfa Romeo.
O jornal italiano Gazzetta procurou a Stellantis, e um porta-voz do grupo também atribuiu a demora à atualização dos planos industriais para a Itália. Segundo a justificativa, trata-se de uma revisão necessária diante do cenário atual: das incertezas sobre as regras de emissões da União Europeia ao impacto das tarifas alfandegárias impostas pelos EUA.
Por enquanto, ninguém indicou novas datas para o lançamento dos sucessores do Stelvio e do Giulia. Questionado sobre a possibilidade de ambos estarem prontos para estrear em 2026, Santo Ficili, CEO da marca, respondeu apenas com o previsível “nós avisaremos”.
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